Terça, 16 de Abril de 2024
  • Terça, 16 de Abril de 2024

Messi está melhor do que a França para a final da Copa

A imoralidade da prática está no 'toma lá da cá'. Em troca de apoio político, o governo fez uma verdadeira derrama de dinheiro.

CORREIO DO ESTADO / PAULO VINICIUS COELHO


A França foi o melhor time da Copa na primeira fase. Não é mais e tem um pecado que pode ser mortal: entra no modo apagão. Uma vez por jogo, tem uma queda de rendimento que permite ao adversário criar chances e ameaçar suas vitórias. Contra Messi, isso pode decidir.

Por outro lado, o time de Didier Deschamps tem enorme consciência tática para impor seu estilo. Sabia necessitar de três aspectos fortes contra o Marrocos.

A saída de bola tinha de ser perfeita. Varane deu o passe para Griezmann se colocar às costas de Mazraoui, enquanto o lateral esquerdo se preocupava com Dembélé. Essa falha, aliada ao erro de posicionamento da defesa, permitiu o gol de Theo Hernández aos 5 minutos.

Também seria necessário pressionar a saída de bola e ter precisão nas faltas e nos escanteios. Um erro grave do técnico marroquino, Walid Regragui, foi começar o jogo com três zagueiros. Equívoco estratégico e também aposta errada num jogador lesionado. O líbero, Saiss, não aguentou mais do que 20 minutos. A entrada do meia Amallah coincidiu com o modo apagão. Marrocos melhorou.

Regragui estava confiante de manhã. Um encontro casual com este colunista no elevador permitiu ouvir do treinador que ele iria vencer: 'Não importa a rivalidade. Vamos ganhar'. Seu excesso de confiança pode ter causado o vacilo tático. Mesmo assim, o zagueiro El Yamiq deu uma bicicleta na trave no primeiro tempo. O Marrocos quase empatou.

Sua torcida dava show, ora assobiando para amedrontar os ataques da França, ora com coreografias. A torcida árabe se uniu na primeira Copa em um país árabe. À maioria marroquina uniam-se alguns tunisianos e qatarianos.

Das arquibancadas para o campo, a pressão do Marrocos aumentou na segunda etapa, a ponto de se ver até um suspiro assustado do presidente francês, Emmanuel Macron, sentado ao lado de Gianni Infantino, da Fifa.

A França só conseguiu se equilibrar com um pouco de catimba, passes curtos, gastando o tempo. Não é o jogo da França.

Deschamps trocou Dembélé por Muani, o 26º convocado, depois dos cortes de jogadores machucados. Tinha gente dizendo que o técnico deixou de convocar o último nome porque não havia talento para tanto. Estrela é isso. Muani é o líder de passes para gols no Campeonato Alemão. Não é o artilheiro.

Só que a bola sobrou como um presente dentro da pequena área, depois de finalização de Mbappé desviado na defesa.

A França lembra a Alemanha de 1990, que fez a decisão contra a Argentina. Aquele time, dirigido por Franz Beckenbauer, começou goleando Iugoslávia e Emirados Árabes. Dava espetáculo.

Nos mata-matas, tornou-se pragmático, por vezes burocrático. Ganhou da Holanda por 2 a 1, da Tchecoslováquia por 1 a 0, da Inglaterra nos pênaltis.

Chegou à final contra Maradona, com o tornozelo muito machucado, acima do peso, um gênio cansado.

A diferença é que Messi é um gênio. Apenas um gênio.



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