Quarta, 24 de Abril de 2024
  • Quarta, 24 de Abril de 2024

Uso excessivo de telas por crianças aumenta o risco de transtorno obsessivo-compulsivo

Estimativa é de um estudo recente e demonstra uma realidade que deve ser combatida, especialmente no período de férias

R7 / SAúDE | DO R7


Passar uma hora assistindo vídeo aumenta em 13% a chance de a criança desenvolver TOC - Freepik

O período de férias é o momento em que as crianças têm mais tempo livre para ficar na frente da televisão, celular, tablet e computador. Já é de ciência dos pais que isso não deve acontecer em excesso, mas pesquisadores trouxeram mais um motivo para evitar essa situação: o desenvolvimento precoce de TOC (transtorno obsessivo-compulsivo).

Um estudo publicado no Journal of Adolescent Health por cientistas da UCSF (Universidade da Califórnia em São Francisco) constatou que a cada hora que as crianças passam assistindo vídeos, a chance de desenvolvimento de TOC aumenta 13%. 

Quando elas ficam o mesmo período jogando videogame, esse risco passa para 11%. 

'Os vícios em telas estão associados à compulsividade e à perda do controle comportamental, que são os principais sintomas do TOC', disse o principal autor do estudo e professor assistente de pediatria na UCSF, Jason Nagata, em comunicado.

No caso do videogame, Nagata alerta que as crianças que passam 'muito tempo jogando relatam sentir a necessidade de jogar cada vez mais e não conseguem parar apesar de tentarem'.

Devido a isso, 'pensamentos intrusivos sobre o conteúdo do videogame podem se transformar em obsessões ou compulsões', segundo ele.

Os vídeos, por sua vez, podem causar uma visualização compulsiva de conteúdos semelhantes, que é fortemente impulsionada pelos algoritmos e anúncios das principais plataformas de consumo. 

Para chegar a essa conclusão, os cientistas perguntaram a 9.204 crianças de 9 e 10 anos quanto tempo elas gastavam nas mais variadas plataformas, exceto as que eram utilizadas para fins educacionais. A média foi de 3,9 horas por dia. 

Dois anos após esse primeiro contato, os pesquisadores questionaram os pais ou responsáveis se a criança apresentou sintomas ou obteve o diagnóstico de TOC. Do total de entrevistados, 4,4% desenvolveram transtorno obsessivo-compulsivo.

A troca de mensagens de texto, participação em chamadas de vídeo e as mídias sociais não tiveram relação direta com os casos de TOC, porém isso pode ter acontecido porque as crianças que participaram da pesquisa não faziam uso contínuo dessas ferramentas. 

'Embora o tempo de tela possa trazer benefícios importantes, como educação e maior socialização, os pais devem estar cientes dos riscos potenciais, especialmente para a saúde mental', alerta Nagata.

Vale ressaltar que o TOC afeta diretamente a saúde mental e causa, por exemplo, comportamentos repetitivos e pensamentos recorrentes e indesejados – também chamados de obsessões. Esses sintomas podem causar angústia e ansiedade, além de se tornarem incapacitantes em alguns casos. 

Nagata também faz esse alerta em decorrência de outra descoberta realizada por ele e seus colegas, em julho deste ano, de que o tempo excessivo de tela para crianças de 9 a 11 anos estava ligado a distúrbios de comportamento disruptivo, como transtorno de conduta. Nesse caso, as mídias sociais foram um fator determinante.

Para evitar as duas situações, o professor recomenda limitar a exposição das crianças às telas e criar uma rotina de uso que possa ser acompanhada pelos pais. 

'As famílias podem desenvolver um plano de uso de mídia que inclua horários sem tela, inclusive antes de dormir', exemplifica.

Dezembro Laranja: conheça mitos e verdades sobre o câncer de pele

O mês de dezembro é marcado pela prevenção ao câncer mais incidente no Brasil, o de pele. O tipo mais frequente no país é o carcinoma basocelular, considerado pouco agressivo, seguido do carcinoma espinocelular (não tão agressivo, mas que pode evoluir para metástase) e do melanoma — origina-se nas pintas e é o mais perigoso. Para ter um tratamento curativo e mais simples em qualquer um dos casos, o indivíduo deve estar atento aos primeiros sinais da doença. No caso dos carcinomas basocelular e espinocelular, há lesões avermelhadas e elevadas que parecem verrugas e espinhas, mas não coçam nem doem.  O melanoma, por sua vez, deixa a pinta com formato irregular e com múltiplas cores, e pode coçar, machucar e sangrar. Estar atento a esses sinais é essencial, mas as pessoas também devem conhecer o que é mito ou verdade sobre a doença

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Pessoas de pele clara têm mais risco de ter câncer de pele? VERDADE A melanina, pigmento responsável por dar cor à pele e aos pelos, protege as células contra os danos causados pelos raios ultravioleta do sol. As pessoas de pele clara, no entanto, têm menos melanina do que as de pele negra, situação que aumenta a sua vulnerabilidade.  'Quem tem mais melanina tem uma maior proteção natural contra o câncer de pele. Mas mesmo pessoas de pele negra precisam manter a proteção solar, pois o câncer de pele pode acometer todas', alerta o dermatologista oncológico Denis Miyashiro, do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Oswaldo Cruz

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Câncer de pele é mais incidente em mulheres? MITO Apesar de as mulheres formarem a maioria do público que compartilha as experiências e as formas de prevenção relacionadas à doença, os homens sofrem mais com o câncer de pele. Isso ocorre principalmente, segundo Denis, em razão dos hábitos de exposição solar desse público. 'Homens aderem menos às medidas de proteção solar, como o uso de filtros solares e a proteção física com guarda-sol e roupas. [Também] têm exposição solar maior em alguns tipos de emprego, principalmente trabalhos rurais', conta o dermatologista

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Exposição solar aumenta o risco de câncer de pele? VERDADE A exposição solar sem proteção adequada ou em períodos do dia em que os raios ultravioleta são mais intensos, como das 10h às 15h, aumenta a chance de a pessoa desenvolver câncer de pele. Segundo Miyashiro, isso acontece porque a exposição 'causa danos nas células da pele que, ao longo do tempo, podem sofrer transformação maligna'

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Apenas a exposição solar causa câncer de pele? MITO Apesar de a maioria dos casos da doença estar relacionada à exposição solar, ela também pode acontecer devido a outros fatores, como alterações no sistema imunológico — causados por outras doenças —, uso de medicamentos imunossupressores e feridas crônicas, por exemplo.  De acordo com o Oncoguia, a doença também pode estar ligada a fatores genéticos, já que cerca de 10% das pessoas com melanoma têm um histórico familiar de casos de câncer de pele

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Utilizar cremes bronzeadores aumenta o risco de câncer de pele? VERDADE Os cremes bronzeadores são usados para potencializar a ação do sol e aumentar a pigmentação da pele. O produto em si não causa câncer de pele, mas a forma como ele é usado pode se tornar danosa.  'Quando se utiliza esse tipo de creme, a pessoa acaba se expondo mais ao sol sem a proteção adequada. E é essa exposição que aumenta o risco', explica Miyashiro. Ainda segundo orientações do A.C. Camargo Cancer Center, o bronzeador é comumente aplicado por cima do protetor solar, o que impede que raios solares sejam filtrados

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Melasma pode virar câncer? MITO O melasma é uma condição que desencadeia um maior acúmulo de melanina na pele, o que leva à aparição de manchas. No entanto, essas manchas não se transformam em câncer de pele. 'Tanto o melasma quanto o câncer de pele podem ser causados pela exposição solar excessiva sem a proteção adequada, mas são condições diferentes', relata Miyashiro

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O guarda-sol e o guarda-chuva protegem contra o câncer de pele? VERDADE Ambos os produtos protegem a pessoa contra a exposição solar direta, portanto previnem essa doença. No entanto, a luz ultravioleta é refletida nas superfícies e pode atingir a pele. 'Por isso, é fundamental o uso do filtro solar. Isso [também] vale para chapéus e bonés. Esses acessórios protegem apenas parcialmente contra a luz solar', diz o dermatologista

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Protetor solar não precisa ser usado em dias nublados ou quando estou na sombra? MITO Para Miyashiro, esse é um 'dos maiores erros' cometidos pelas pessoas. O protetor solar deve sempre ser utilizado, independentemente se o sol está em evidência ou não.  'A radiação ultravioleta atravessa as nuvens. Por isso dizemos que o mormaço também queima. E a radiação ultravioleta se reflete nas superfícies, podendo atingir a pele mesmo na sombra', finaliza o dermatologista * Estagiária do R7, sob supervisão de Fernando Mellis

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