Quarta, 24 de Abril de 2024
  • Quarta, 24 de Abril de 2024

Setor sucroenergético do Estado exportou US$ 380 milhões

Países Baixos, Canadá e Geórgia são os principais destinos das exportações da produção estadual

CORREIO DO ESTADO / ELIAS LUZ


Arquivo/Correio do Estado

O setor sucroenergético de Mato Grosso do Sul já é responsável por 5% de todas as exportações entre janeiro e novembro deste ano.

Os números divulgados pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro) mostram que o açúcar e o etanol estão no top 10 das exportações. 

O açúcar gerou US$ 303,2 milhões com 747,7 mil toneladas e uma participação de 3,99%. Já o etanol gerou US$ 76,9 milhões com 78,9 mil toneladas e uma participação de 1,01%. Juntos, açúcar e etanol acumularam US$ 380,1 milhões em exportações. 

Em 2021, as exportações só de açúcar renderam US$ 345,8 milhões, um valor 12,3% superior aos números deste ano. Em compensação, o etanol sequer figurava entre os produtos exportados. 

Dados do Sistema Famasul dão conta que, até outubro, o açúcar bruto respondeu por 72,7% das exportações, totalizando US$ 227 milhões.

Em seguida aparecem o álcool etílico, com 22,3%, e o açúcar refinado, com 4,9%. Por esses dados é possível perceber que os principais importadores sucroenergéticos foram os Países

Baixos, com 17,9%, o Canadá, com 11,7%, e a Geórgia – ex-república soviética –, com 11,5%.

“Nós ocupamos a quarta posição quando se fala em valor de produção de cana-de-açúcar. Mesmo tendo um baixo custo de produção, o Estado se destaca também como o quarto maior produtor de cana-de-açúcar. A região centro-sul é a maior produtora no Brasil”, explicou a consultora técnica do Sistema Famasul Eliamar Oliveira.

Hoje, Mato Grosso do Sul é o quarto maior estado em área plantada, com 673 mil hectares, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No parque industrial, o Estado conta com 11 usinas mistas – com álcool e açúcar – e outras sete destilarias de álcool, totalizando 18 unidades em operação. 

De acordo com a analista técnica do Sistema Famasul Regiane Miranda, o setor sucroenergético de Mato Grosso do Sul emprega diretamente aproximadamente 25 mil pessoas, sendo cerca de 5 mil na produção a campo e 20 mil nas usinas ativas.

Ela afirmou que o Estado possui um sistema de produção mista cada vez mais desenvolvido, contemplando tanto açúcar quanto etanol. 

Quanto aos números, Regiane detalhou que a produção de cana-de-açúcar no Estado foi de cerca de 42 milhões de toneladas este ano, rendendo 1,3 milhão de toneladas de açúcar bruto. Já a produção de etanol foi de cerca de 2,7 bilhões de litros.

No mercado nacional, ambas as produções têm o estado de São Paulo como principal destino no Brasil.

 “Quanto ao mercado externo, o principal destino do açúcar bruto é a Geórgia, e do etanol são os Países Baixos. É possível acompanhar o mercado e as demais informações sobre a produção de cana-de-açúcar nos boletins sucroenergéticos, que são publicados trimestralmente”, reforçou a analista.

PRODUTORES

Atualmente, os 10 maiores municípios produtores de cana-de-açúcar em MS são: Nova Alvorada do Sul, Rio Brilhante, Costa Rica, Nova Andradina, Angélica, Ivinhema, Ponta Porã, Aparecida do Taboado, Paraíso das Águas e Jateí.

“O plantio de cana-de-açúcar está em expansão no Estado, com a notícia de que novas usinas estão chegando, e isso já pode ser observado no município de Paranaíba. As exportações do setor sucroenergético estão em expansão no nosso estado e, com a chegada de novas usinas, a tendência é de que haja o aumento da comercialização dos nossos produtos. A produção exportada aumentou 16 vezes, assim como o valor também aumentou em 19 vezes quando comparado com os últimos cinco anos”, detalhou Regiane.

Para o próximo ano, a analista técnica diz que as perspectivas para a próxima safra – chamada de 2023/2024 –, que será iniciada em abril, são otimistas. A estimativa é de que só na região centro-sul sejam processados cerca de 587,6 mil toneladas de cana-de-açúcar, aumentando a estimativa em 5,4% em relação à safra 2022/2023.

A atenção especial está voltada para o fenômeno La Niña, que afeta as condições climáticas. 

Outra boa perspectiva está voltada para o setor de biocombustíveis, principalmente com a atenção que o governo do Estado está dando ao RenovaBio, que é uma política para garantir a segurança energética, a previsibilidade do mercado e a mitigação de emissões dos gases no setor de combustíveis.

SETOR

O presidente do Conselho Deliberativo da Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), Amaury Pekelman, explicou que, em 2021, o total de área destinada ao cultivo de cana-de-açúcar somou 797.596 hectares, o que representa 2,2% do território do Estado.

Hoje, a média salarial na indústria da cana-de-açúcar é de R$ 3.149,73, com mais de 10 mil funcionários. Já os salários na agricultura têm média de R$ 3.032,35, com mais de três mil colaboradores, de acordo com os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

O setor sucroenergético em Mato Grosso do Sul produz açúcar, etanol e bioeletricidade a partir da cana-de-açúcar. Neste ano, conta com um incremento de produção de etanol de milho. 

Quanto ao etanol produzido no Estado, cerca de 90% é destinado ao consumo de outros estados, como São Paulo e Paraná. Já a bioeletricidade é produzida por todas as 18 unidades em operação em MS para consumo próprio. 

Dessas, 12 exportam o excedente para o Sistema Interligado Nacional (SIN), responsável pela distribuição de energia em todo o território brasileiro. Para 2023, as perspectivas do setor são pelo menos se manter como quarto maior produtor de cana-de-açúcar do País e quinto maior produtor de açúcar e de etanol. 

“Com 18 usinas em operação no ciclo 2022/2023, os investimentos do setor estão concentrados na renovação dos canaviais, na melhoria da produtividade da matéria-prima, na eficiência industrial, na diversificação dos produtos e na capacitação de pessoas”, detalhou o presidente do Biosul.

“Apesar das condições climáticas serem bastante desafiadoras para a cultura da cana no Estado, as empresas do setor têm buscado alternativas para se manterem constantes em investimentos que fortaleçam suas operações e continuem gerando emprego de qualidade e contribuindo para o desenvolvimento do Estado”, completou Pekelman. 

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