Sábado, 13 de Abril de 2024
  • Sábado, 13 de Abril de 2024

Secretária de Energia da Argentina diz que gasoduto no país terá financiamento do BNDES

Banco afirma que embaixada da Argentina em Brasília fez consulta sobre eventual financiamento, mas não houve pedido formal

R7 / BRASíLIA | DO R7, EM BRASíLIA


Sede do BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, no Rio de Janeiro - Fernando Frazão/Agência Brasil - 26.06.2021

A secretária de Energia da Argentina, Flavia Royon, afirmou durante um almoço com empresários, em Buenos Aires, na última segunda-feira (12) que o país portenho garantiu um financiamento de US$ 689 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a executar a segunda etapa do gasoduto Presidente Néstor Kirchner, ao norte da Patagônia.

Ao R7, porém, o BNDES não confirmou a liberação de recursos. 'O governo argentino, por meio de sua embaixada em Brasília, e empresas brasileiras entraram em contato com o BNDES e com o Ministério da Economia em consulta sobre eventual financiamento à exportação de bens brasileiros. Não há, entretanto, pedido formal de financiamento protocolado no BNDES', informou o banco.

A reportagem também pediu posicionamento à Embaixada da Argentina em Brasília e, até a publicação desta matéria, não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.

O gasoduto fica na região de Vaca Muerta, a segunda maior reserva de gás de xisto do mundo e a quarta maior em óleo de xisto. Extraído da rocha de xisto betuminoso, o óleo é um combustível de alto poder energético e uma opção em relação aos óleos combustíveis derivados do petróleo.

Em novembro deste ano, Brasil e Argentina assinaram um memorando de entendimento sobre importação e exportação de eletricidade e gás até 2025. O memorando foi assinado pelo secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Hailton Madureira de Almeida, pela secretária de Energia da Argentina, Flavia Royon, e pelo embaixador argentino no Brasil, Daniel Scioli.

Em 2021, a Argentina exportou eletricidade para o Brasil ao custo de US$ 1 bilhão (mais de R$ 5,3 bilhões), além de US$ 350 milhões (cerca de R$ 1,8 bilhão) em gás. Em 2022, o Brasil forneceu eletricidade à Argentina no valor de US$ 250 milhões (mais de R$ 1,3 bilhão). O novo contrato permite a utilização do Sistema Bilateral de Pagamentos em Moedas Locais para saldar as compras de energia.

No marco da assinatura do memorando, o governo argentino informou que estava em negociação com o Brasil para obter financiamento para as próximas etapas da construção do gasoduto. “A integração energética está se tornando uma realidade', destacou o presidente argentino, Alberto Fernández, após a assinatura do acordo.

A liberação de recursos do BNDES para obras em outros países, principalmente a governos auroritários, é motivo de críticas no Brasil, devido à inadimplência nos contratos. Durante os governos dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Dilma Rousseff (PT), empréstimos concedidos pela instituição brasileira para obras em Cuba e Venezuela chegaram a R$ 10,9 bilhões. Os dois países, no entanto, estão sem pagar as prestaçõs do cohtrato desde 2018.  A dívida de Cuba e da Venezuela com o BNDES alcançou, em 2021, R$ 3,5 bilhões.  A quantia seria suficiente para construir mais de 850 hospitais no Brasil.

Segundo informações no site do BNDES, Cuba recebeu R$ 3,4 bilhões (US$ 656 milhões) em desembolsos e mantém saldo devedor de R$ 2,3 bilhões (US$ 447 milhões). As prestações em atraso a serem indenizadas são 13 – não foram pagas nem mesmo depois de tentativas de acordo. 

Fazem parte dos contratos de financiamento as obras de ampliação e modernização de Porto Mariel (divididos em 5 contratos); a construção de uma planta para produção de soluções parenterais de grande volume e soluções para hemodiálise e modernização e ampliação do Aeroporto Internacional Jose Marti, em Havana.

Para a Venezuela, o desembolso foi de R$ 7,8 bilhões (US$ 1.506 bilhão) e o saldo devedor é de R$ 1,2 bilhão (US$ 235 milhões). As prestações em atraso, a serem indenizadas pelo FGE (Fundo de Garantia à Exportação), chegam a 42. Já as prestações em atraso já indenizadas são 510.



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