Quarta, 24 de Abril de 2024
  • Quarta, 24 de Abril de 2024

"Quando competimos, somos imbatíveis": como Fábio Matias transformou o Botafogo

Adepto do futebol ofensivo e com Johan Cryuff e Rinus Michels como inspirações, auxiliar estreia com o Alvinegro na fase de grupos da Libertadores

GLOBOESPORTE.COM / BERNARDO SERRADO, EDSON VIANA E SERGIO SANTANA


Veja como vai jogar o Botafogo contra o Júnior Barranquilla - ge Botafogo

"Quanto competimos, somos imbatíveis"

Essa foi a frase utilizada por Fábio Matias nos nove jogos que esteve à frente do comando do Botafogo como treinador interino. O auxiliar técnico permanente completa a 10ª partida pelo Alvinegro contra o Junior Barranquilla, às 19h desta quarta-feira, na estreia da fase de grupos da Conmebol Libertadores.

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Após a demissão de Tiago Nunes, a derrocada do clube no Brasileiro do ano passado ainda era assunto recorrente. A primeira ação de Fábio Matias foi passar uma borracha de vez em qualquer assunto sobre 2023.

O resultado foi positivo: com o interino, o Alvinegro passou por Aurora e Bragantino na parte preliminar da Libertadores e chegou até a fase de grupos. São oito vitórias e um empate no comando da equipe - a despedida será justamente contra o Junior, já que o clube já fechou com o português Artur Jorge.

- Pode esperar uma equipe agressiva, mas com controle emocional muito alto. Uma equipe que vai se doar o jogo inteiro, mas vai competir. Tem uma frase muito legal aqui, e eu tenho usado muito ela, que é "Quando competimos, somos imbatíveis". Quando a gente compete, ganha duelos, dificilmente alguém ganha de nós. É uma frase que usamos muito internamente porque o jogo de futebol é muito baseado em duelos. Quanto mais duelos eu ganhar dentro do jogo, terei vantagens. É isso que pode se esperar. Uma equipe que vai se doar do primeiro ao último minuto - afirmou em entrevista exclusiva ao ge.

Você assiste à entrevista completa com Fábio Matias na edição desta quarta-feira do ge, às 12:45

- Pés no chão. Faz parte. Não existem equipes imbatíveis. Essa frase é só uma metáfora. Que a derrota venha em um momento oportuno, que você possa perder. Esse é um dos objetivos que temos aqui, é entregar com um bom resultado - completou.

Fábio Martins valorizou a relação que criou com os jogadores em praticamente todas as entrevistas coletivas que fez no Botafogo. Ao "vender ideias", como gosta de dizer, o treinador analisa a importância de ter uma postura presente.

- Hoje, 50% do trabalho está relacionado com gestão, e não é moda. Gestão não é saber gerir, é saber lidar com pessoas. Os outros 50% é o conhecimento. Se o atleta olhar pra você e não confiar, esquece, não vai dar certo. O atleta tem que ver e falar "po*ra, é isso, isso é bom". É para isso que serve o treino, para você insistir, falar que o cara é bom. Aí tem jogo, e o jogador faz a mesma coisa que fez no treino. É uma luta de convicção, para fazer o cara estar convicto que tudo vai dar certo. Se fala muito de coach e gestão, eu sou um cara muito mais direto, gosto de falar sempre do que florear ou fazer grandes cenários. É 50/50. Quem tem muita gestão, alguns faltam conhecimento. Quem sabe muito, pode faltar gestão - classificou.

A relação de Matias com os jogadores começou no dia 7 de janeiro, primeiro dia do profissional no Botafogo. O comandante veio após passagem pelos times inferiores do Bragantino e foi uma indicação de André Mazzuco, ex-diretor de futebol, e Alessandro Brito, head scout.

- Eu sou muito impressionado com esse grupo de jogadores pela questão de trabalho. Nós separamos o elenco em grupos e ficamos com grupos menores. Os caras treinam à vera, vão até o final, pedem mais. Acaba o treino e eles pedem mais coisas. Isso é comprometimento com o clube. "Ah, mas ganha salário, recebe bem..." Vamos lá, comprometimento não é só você estar aqui. Muita gente vem e só está presente. É estar lá dentro. Eu fico impressionado. Não estou falando nada a mais. Já peguei grupos de base que trabalham muito menos que esse aqui e os caras aqui são consagrados. Esse é um ponto favorável - finalizou.

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Jogo ofensivo

A inspiração e ideia de jogo de Fábio Matias vem da Holanda. De carreira no futebol desde 2001, iniciando como treinador de goleiros e passando rapidamente já para a parte técnica, o pensamento de tática do profissional vai do histórico Johan Cruyff até conceitos de Pep Guardiola. A prioridade do paulista de 44 anos é só uma: atacar.

- Tive uma oportunidade, em um período da minha vida quando trabalhei no Desportivo Brasil, de viajar para fora do Brasil. Foi algo muito bom para a minha carreira. Eu conheci muito daquela escola holandesa. Cruyff, Ajax, Rinus Michels... É a base do jogo ofensivo, estruturação, 4-3-3 posicional usados em Barcelona de Guardiola. Eu suguei muito isso daquele período. Hoje é muito difícil trabalhar no cenário de base porque há uma visibilidade muito grande, a televisão transmite jogos de base. Imagine você, nos primeiros jogos de sub-17, toma duas goleadas de 4 a 0, você já corre o risco de ser demitido. Muitas vezes, o treinador, por causa disso, deixa de fazer coisas que ele acredita - analisou.

Os números mostram: sob o comando de Matias, o Botafogo marcou 25 gols e sofreu seis em nove jogos disputados.

- Eu sempre mantive as ideias muito claras do jogo, ainda mais por ter bebido dessa água. Tem conceitos de periodização tática, planejamento, jogo posicional que hoje tanto se fala, mas não dá para se aplicar tudo. O principal é o DNA próprio. Esse negócio de copia e cola é uma moda. Desde a pandemia surgiram muitas lives e eventos. Eu brinco que o cara da esquina fala de futebol, o cara que vende o pãozinho fala de estrutura funcional, o médico, o engenheiro... Ficou muito fácil a informação, mas não é toda informação que você tem que absorver. Todo mundo conhece um pouco de futebol, está na veia (risos). Eu tenho uma família muito ligada ao futebol, meus pais, tios e primos, se deixar eles querem escalar o time - completou.

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