Terça, 21 de Maio de 2024
  • Terça, 21 de Maio de 2024

Craque da Nigéria ajuda vítimas no RS e alerta jogadores brasileiros: "Vai afetar a todos nós"

Um dos futebolistas mais engajados na luta contra a crise do clima, Troost-Ekong fala com o ge e pede: "Adoraria um Mbappé, Neymar ou outro jogador mundial falando mais sobre esse tópico"

GLOBOESPORTE.COM / RODRIGO LOIS


Craque da Nigéria pede mobilização de jogadores: 'É algo que vai afetar todos nós'

A atual tragédia no Rio Grande do Sul impactou diretamente o futebol brasileiro e provocou a ação de jogadores para a causa humanitária. É importante enxergar além, ver a relação das chuvas e enchentes com a crise do clima e usar o esporte como plataforma para mobilização. Esse é o alerta de William Paul Troost-Ekong, capitão da Nigéria, um dos jogadores da elite internacional mais engajados com a causa ambiental.

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— Não me considero uma superestrela. Tenho uma audiência pequena. Sou um privilegiado por jogar pela minha seleção. Mas adoraria um Mbappé, Neymar, Haaland ou outro jogador mundial falando mais sobre esse tópico. Às vezes não somos tão afetados por jogarmos na Europa, onde as maiores estrelas estão. Mas quando você vê o que acontece no país natal desses atletas, como Brasil, África, e agora cada vez mais em todos os lugares... É algo que vai afetar todos nós — comentou Troost-Ekong, em entrevista exclusiva ao ge.

Troost-Ekong tem 30 anos e joga no PAOK, da Grécia. O zagueiro foi eleito o melhor jogador da última Copa Africana de Nações. A Nigéria terminou como vice-campeã, após derrota para Costa do Marfim por 2 a 1 (William abriu o placar). Ele tem mais de 70 jogos pela seleção.

O PAOK é o mesmo time de dois brasileiros: Marcos Antônio, ex-Athletico-PR, e Taison . Foi através do atacante ex-Internacional e, principalmente, do preparador físico gaúcho Lucas Kruel, que Troost-Ekong ficou sabendo das enchentes no Sul do Brasil. Ele procurou ajudar com doações.

— Quero dizer que estou pensando em todos no Brasil, estou tentando fazer o melhor para ajudar. Acho que é um sinal, talvez uma lição dessa situação terrível, de que devemos pensar mais sobre o futuro. Não queremos que isso aconteça de novo. A resposta está muito em nós, como comunidade, como pessoas, cidadãos do mundo. Só posso encorajar outros jogadores, super estrelas muito maiores do que eu, que têm maior alcance, a se educarem e verem o que podem mudar em suas vidas. Temos que fazer mudanças.

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O zagueiro nigeriano disputou 29 jogos nesta temporada, somando os compromissos por PAOK e seleção. Ele sofreu uma lesão muscular ainda na fase de grupos da Copa Africana, mas suportou para chegar à decisão . Depois, precisou passa por cirurgia. Troost-Ekong voltou aos treinos do time grego na semana passada.

Foi na CAN que ele usou pela primeira vez a chuteira sustentável da Sokito, marca da qual ele é investidor e embaixador. A chuteira, a primeira do tipo num grande torneio do futebol internacional, era feita de vários materiais reciclados, como restos de milho, cana de açúcar e bambu.

A última Copa Africana de Nações seria entre junho e julho de 2023, mas foi adiada para o início de 2024 por causa do risco de fortes chuvas.

O PAOK é o 11º clube de sua carreira profissional, que também conta com passagens por Watford e Tottenham, da Inglaterra, Gent da Bélgica, e Udinese na Itália. Ele procurou medidas para compensar as suas emissões de gases do efeito estufa (a chamada "pegada de carbono") nas duas últimas transferências internacionais.

— A ideia é que não só jogadores, ou a Fifa, ou governos façam mudanças, mas todo mundo, no dia a dia. É daí que virá a mudança. A cada seis meses há muitos jogadores se transferindo, postando fotos em redes sociais de seus aviões particulares, mas não necessariamente pensando no impacto no mundo — comentou o defensor.

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Troost-Ekong reconhece que o engajamento na causa é recente, coisa de três anos. Além do uso de chuteiras sustentáveis e da compensação das emissões de carbono das transferências, ele também tem uma fundação com seu nome na cidade de Uyo, na Nigéria.

Com o passar do tempo e o maior envolvimento, ele se deu conta de que o futebol pode fazer muito mais pra ajudar na batalha contra as mudanças climáticas . Em especial porque é um esporte que conta com uma plataforma impressionante de alcance.

— Não sou perfeito, estou longe disso, mas estou tentando ser melhor. Se tivessem me falado sobre isso há 10 anos, eu teria começado há 10 anos. Mas só tenho agora a informação, há três anos. Sinto que é meu dever espalhar a mensagem na comunidade do futebol, e tomara que possamos ter mais gente junta, provocar um efeito dominó, nos clubes, torcedores, e, idealmente, Fifa, confederação africana e todas as grandes instituições, que podem pressionar por mudanças.

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