Terça, 25 de Junho de 2024
  • Terça, 25 de Junho de 2024

Ex-Palmeiras lembra romance com Nicole Bahls e rebate fama de baladeiro: "Soube conciliar"

Em entrevista ao ge, zagueiro se defende de investigação contra manipulação, lembra atrito com Marcelo Oliveira no Palmeiras e abre sonho de encerrar carreira no Vitória

GLOBOESPORTE.COM / TIAGO LEMOS E COSTTA FILHO


Victor Ramos se declara ao Vitória e revela sonho de encerrar a carreira no rubro-negro

Victor Ramos é um daqueles jogadores que proporcionam entretenimento dentro e fora de campo. A carreira brilhante, como ele define aos 35 anos, é a realização de um sonho iniciado aos 12, no Vitória. O zagueiro explodiu no clube baiano, foi para Europa e voltou para o Brasil para atuar em outros gigantes, como Vasco e Palmeiras. Mas o "pacote" VR3 engloba muito mais. O namoro com Nicole Bahls, em 2012, foi o primeiro assunto que o fez virar assunto nacionalmente. E muito mais estava por vir.

Convicto apreciador da noite, se envolveu em polêmicas por excessos e chegou até a ser afastado de clube. Em 2015, um atrito com o técnico Marcelo Oliveira teria freado sua ascensão no Palmeiras. Um ano depois, virou o "Caso Victor Ramos", em um processo que investigou supostas irregularidades na inscrição do zagueiro à época no Vitória (posteriormente foi arquivado). No ano passado, foi alvo da Operação Penalidade Máxima II, contra manipulação de resultados.

"Minha carreira foi muito positiva. Claro que tem uns erros e outros, nem todo mundo só tem vitórias na vida. [...] Meu nome sempre entrava em alguma coisa ou outra. Meu nome é doce. Mas tudo se resolveu. Bola para frente", resumiu em entrevista ao ge.

A carreira de Victor Ramos teve início há 23 anos, quando ele descia uma ladeira do bairro Caixa D' Água, em Salvador, e pegava dois ônibus para chegar ao Barradão. O zagueiro começou a caminhada no Vitória e fez 172 jogos ao longo de quatro passagens, marcadas pela conquista de quatro Campeonatos Baianos (2008, 09, 13 e 16). Também fez história ao ser capitão no time do Leão que fez campanha da história do clube nos pontos corridos do Brasileirão, com o quinto lugar com 59 pontos, em 2013.

Mas a carreira de Victor Ramos esteve longe de ser resumir ao que acontecia dentro de campo. Ao longo da passagem pelo Vitória e pelos outros clubes que defendeu, o zagueiro esteve associado a festas e nunca escondeu o interesse pela vida noturna. Ele garante que sempre soube conciliar o trabalho com o extracampo e que isso nunca o prejudicou.

- Na verdade, não prejudicou, sempre soube conciliar, tanto que todo lugar que cheguei joguei, fui capitão, fui titular. Você parar para ver minha carreira, meu histórico, fui muito mais titular que reserva, tive muita pouca lesão, foi muito mais positiva que negativa - garantiu o defensor.

"Todos nós gostamos de dar uma volta, normal. Só que como é jogador, pessoa pública, as coisas pegam mais, aumentam mais, a repercussão é maior".

- Mas eu não me arrependo, sempre gostei [da noite]. Mas sabendo separar no momento certo, no dia certo, né!? Não confundindo, sempre colocando meu trabalho em primeiro lugar. Mas eu não tenho dúvida que amadureci muito. o Victor de 20, de 22, de 21 anos não é o mesmo que o de 35 de hoje. Na verdade amadureci dos 30 para cá, sou outro Victor. Fico mais em casa, saio mais em ocasião de aniversário, uma coisa mais tranquila.

A fama de Victor Ramos de "baladeiro" era tão grande que tinha torcedor que jurava que o zagueiro levava terceiro cartão amarelo para cumprir suspensão e poder curtir festas em Salvador ou no interior da Bahia. O zagueiro negou qualquer atitude neste sentido.

- Não, o defensor, o volante, o zagueiro, o lateral, você não sabe quando vai tomar um cartão ou não, entendeu? Tem momentos que você tem que chegar junto no atacante, para impor, para mostrar respeito, tem que matar a jogada para não tomar um gol, e assim a gente fica mais vulnerável a tomar um cartão. E aí o pessoal associava uma coisa porque eu gostava de sair, como eu te falei anteriormente, gostava de sair, né, paquerar, sou um cara solteiro, normal. Mas minha carreira em primeiro lugar. Jamais eu ia tomar um cartão para ir para balada, para ir atrás de mulher.

"Primeiro plano futebol, segundo plano, aí sim.. Time estava bem, time ganhava, eu dava uma voltinha, moderadamente, claro. Sabendo o meu limite. Mas isso aí não teve [receber cartão de propósito]. Isso, jamais. Eu nunca tomei um cartão para sair".

Mas Victor Ramos também mostrou o seu lado apaixonado para o Brasil. O namoro com Nicole Bahls virou assunto no país com as idas e vindas. A paixão rendeu até tatuagem, posteriormente coberta por outro desenho pelo zagueiro.

- Uma mulher muito bacana, não tenho o que falar dela, um coração gigantesco. Eu era “novinho', quando conhece uma mulher daquela, muito bonita, não só a beleza exterior, mas a interior. A gente fica “amarrado' e “gamado'. Foi um momento que eu vivi muito ao lado dela. Tive algumas polêmicas, algumas brigas, que é normal. Ela tinha o temperamento dela e eu tinha o meu. Eu vim para o Vitória, uma época boa, que fiz gols, foi um momento muito bom na minha carreira.

"Tinha amor de verdade. Mas já passou, uma mulher que tenho maior carinho e admiração", completa.

Investigação e agressão

Ao longo do tempo, as polêmicas extracampo envolvendo Victor Ramos ficaram mais sérias. A primeira, em 2016, quando ainda defendia o Vitória. No fim do Brasileirão daquele ano, o Internacional disputava com o time baiano a permanência na Série A e entrou com um pedido no STJD, como terceiro interessado, requerendo a reabertura de um processo iniciado pelo Bahia, ainda na final do Campeonato Baiano.

O Inter pediu perda de pontos do Vitória por escalação irregular do zagueiro, alegando que a inscrição de VR3 havia sido feita fora do prazo, uma vez que ele foi contratado por empréstimo ao Monterrey, do México, mas como se fosse uma transferência nacional.

Por fim, o STJD decidiu manter o processo arquivado. O Internacional ainda tentou recorrer ao TAS (Tribunal Arbitral do Esporte, na Suíça), mas não obteve sucesso. No fim, o clube gaúcho ainda foi multado por usar no processo um e-mail falso .

Mas a campanha ruim do Vitória no Brasileiro daquele ano tinha outros efeitos. Um dos episódios mais difíceis para o defensor foi uma agressão sofrida na saída do Barradão.

- Agi errado, no impulso, adrenalina, de xingar torcedores. Tenho o maior carinho pela torcida organizada. Foi aquele negócio, no calor da emoção, mas foi tudo resolvido. Na hora o segurança saiu do carro, se não tivesse com ele no carro e, primeiramente com Deus, teria sido pior. Estava com criança pequena no carro, com minha mãe, enfim. mas já passou. Foi uma coisa que ficou marcada negativamente, mas tenho mais coisa positiva.

Operação Penalidade Máxima

Em 2023, Victor Ramos virou alvo da Operação Penalidade Máxima II, do Ministério Público de Goiás, que investiga manipulação de resultados. Ele nega envolvimento com esquemas de apostas e afirma que o caso abalou a família.

- É um caso, é um fato que mexeu muito com minha família, comigo e é uma coisa que eu tive zero participação, só tive apenas... o cara me ligou, né?! Nessa ligação, o pessoal achou que eu estava envolvido.

Advogado do atleta, Ivan Jezler explica que a defesa escrita foi apresentada. O zagueiro não joga desde de maio de 2023, quando defendia a Chapecoense, mas, segundo ele, por decisão própria. Enquanto não há um desfecho judicial, Victor Ramos segue em preparação para voltar a campo e treina sob acompanhamento de um personal trainer, em Salvador.

"Na verdade, eu só fui investigado, estou apto a jogar. Não estar jogando a escolha é minha. Deixar bem claro que eu tive algumas propostas, mas não foi nada interessante do que eu esperava - explicou o zagueiro.

Ele garante, inclusive, que a decisão de sair da Chapecoense não foi motivada pela investigação, mas que se arrepende de ter deixado o clube naquele momento.

- Foi decisão minha sair da Chapecoense, eu era o capitão do time. Já estava querendo sair, mas não era propício para sair. Acho que eu tinha que segurar um pouco mais, não ir pela emoção, e sim com a razão [...] Mas era a minha terceira passagem, e eu estava querendo mudar de ares, o frio, enfim, longe da família.

"Acho que eu tomei a decisão errada de ter saído naquele momento porque muita gente, hoje, associa a minha saída com a minha investigação e acha que eu não estou apto a jogar", lamentou.

Nas três passagens pela Chape, Victor Ramos disputou 54 partidas e marcou dois gols. O zagueiro também conquistou o título catarinense de 2017.

Ascensão freada no Palmeiras

Além do Vitória, Victor Ramos também chamou a atenção pela passagem pelo Palmeiras. Em 2015, ele foi emprestado ao Verdão pelo Monterrey, do México. O zagueiro marcou três gols em seu período pelo clube, um deles no empate por 2 a 2 com o Corinthians, com posterior vitória palmeirense nos pênaltis, resultado que colocou a equipe na final do Paulistão daquele ano.

Foram 27 partidas no total, 26 como titular, mas a perda de espaço no time titular foi justamente o principal motivo que fez o atleta perder a cabeça e entrar em atrito com o técnico do clube à época, Marcelo Oliveira.

"Por ser muito novo e ter aquela cabeça, no Palmeiras eu não tinha que ter brigado com o treinador. Era para ter mais paciência e escutar mais".

- Eu tinha tudo para estar na Seleção principal, o caminho era esse. Meu empresário na época estava falando com o Barcelona. O momento e a idade, a discussão com o Marcelo Oliveira por ele me colocar no banco. Uma coisa que me arrependo, não tinha que ter tomado essa atitude. O treinador está ali para a gente ouvir, quem manda é o treinador. Mas é da idade, eu pisei um pouco na bola - lamentou Victor Ramos.

No final de 2015, Victor Ramos foi liberado pela diretoria palmeirense das últimas rodadas da Copa do Brasil e do Campeonato Brasileiro.

- Mesmo com isso tudo, vejo como uma passagem positiva. Campeão da Copa do Brasil, gols importantes. Gol contra o Corinthians, em Itaquera, tiramos o Corinthians na semifinal do Paulistão. Um contra o São Paulo. Isso marca.

VR3 no Bahia?

Quando questionado sobre quais dirigentes rubro-negros não dão o devido valor à sua trajetória no Vitória, o zagueiro preferiu não mencionar nomes, mas "entregou" ter recusado proposta do Bahia, em 2016, por amor ao Rubro-Negro.

- Não falo da torcida, que graças a Deus me adora. É um ou outro dirigente, normal, você não vai agradar a todo mundo. Estou tranquilo, sei o que fiz no Vitória. [...] Tive proposta do Bahia para dobrar salário, mas não fui porque tenho uma história no Vitória desde pequeno, uma vida inteira ali.

Encerrar no Vitória e carreira política

Com pretensão de jogar futebol até os 37 anos, o zagueiro está sem clube desde que rescindiu contrato com a Chapecoense. Mas, na cabeça, o caminho já está traçado. O sonho de Victor Ramos é encerrar a carreira no clube que o formou.

- Claro, não tenha dúvida. É meu sonho. Amo o Vitória, não escondo de ninguém. Claro que umas pessoas ou outras não reconhecem, normal, alguns de dentro do clube, outros já foram embora. Alguns chegaram há pouco tempo e não conhecem a história de cada um no clube - lamentou.

"Tenho uma história muito positiva no Vitória. A melhor campanha, fui capitão do time, 5º lugar. Ganhei vários títulos, a maioria contra o Bahia. Tenho essa vontade de fazer essa despedida no Vitória, esse sonho".

Victor Ramos já traçou também um caminho para depois de pendurar as chuteiras. De olho na carreira política para seguir os passos do pai, o zagueiro pretende ser candidato a prefeito de Rodelas, cidade baiana que fica a 540 km de distância de Salvador, em 2032. Até lá, tem o sonho de deixar a vida de solteiro para trás, casar e ter filhos.

- Sou louco por criança, amo criança. E quem não quer uma mulher bacana do lado, construir uma familia? E o momento que eu estou é propício para isso. Agora mais maduro, mais tranquilo, mais caseiro.

Mesmo com uma carreira marcada por turbulências, Victor Ramos, como um bom zagueiro, costuma botar a bola para frente e seguir o jogo da vida. Afinal, o defensor também carrega bons momentos e chegou a marcar, inclusive, craques como Messi, Cristiano Ronaldo e Benzema, quando teve passagem pelo futebol europeu.

Do futebol, VR3 carrega como amigo Rafael Marques, com quem jogou no Palmeiras. O atleta, inclusive, coloca o "parça" na sua seleção, montada apenas com quem tuou pelo clube paulista e pelo Vitória.

- Fernando Prass, Pará, eu, Vitor Hugo e Egídio. Arouca, Michel e Escudero. Dudu, Gabriel Jesus e Rafael Marques.

Além de Vitória, Palmeiras, Vasco e Chapecoense, Victor Ramos também defendeu, no Brasil, Goiás, Guarani, CRB, Botafogo-SP e Portuguesa. Ele ainda fez carreira internacional e foi convocação para a seleção brasileira sub-20. Resta saber quais as novas histórias que o zagueiro vai escrever. Mas diante de tudo que foi feito até aqui, certamente o conteúdo vai proporcionar muito entretenimento.



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