Terça, 25 de Junho de 2024
  • Terça, 25 de Junho de 2024

X-Luxemburgo e arquibancada com assento de madeira: como é o estádio mais raiz da Série A

Parte do Nabi Abi Chedid, casa do Bragantino, ainda é de ferro; lanches do estádio carregam nomes de ídolos do clube, e Muricy Ramalho já até recebeu um durante partida

GLOBOESPORTE.COM / DANILO SARDINHA


Conheça o Nabi Abi Chedid, o estádio mais raiz da Série A

Seja bem-vindo ao Nabi Abi Chedid, casa do Red Bull Bragantino.

Um estádio em que parte das arquibancadas tem assento de madeira e há um restaurante em que a janela da cozinha fica próxima ao banco de reservas.

As características são de um estádio raiz, mas ainda há uma história que sacramenta isso: Muricy Ramalho, ex-técnico do São Paulo, já recebeu lanche por essa janela durante uma partida do Campeonato Paulista de 2015.

Nos últimos anos, o estádio tem sido palco de jogos do Brasileirão, da Copa Sul-Americana e até da Conmebol Libertadores. Em meio às arenas e estádios modernos, o Nabizão, como é carinhosamente conhecido, é o estádio raiz da elite do futebol brasileiro.

Nesta terça-feira, 11, o Nabi recebe a partida entre Bragantino e Atlético-MG, às 21h30, pela oitava rodada do Brasileirão. Enquanto alguns torcedores estarão sentados nas arquibancadas com assentos de madeira, outros estarão na grade que fica um pouco acima do gramado e muito perto do campo. Essa, aliás, é mais uma das características que fazem do Nabizão um estádio raiz.

Conheça abaixo, em detalhes, como é o Nabi Abi Chedid:

Vai um sanduba aí, Muricy?

Bragança Paulista, a cerca de 90 quilômetros de São Paulo, é conhecida pela linguiça artesanal que é produzida na cidade. O estádio Nabi Abi Chedid é um ponto onde o torcedor pode degustar a famosa iguaria. O técnico Muricy Ramalho, que iniciou a carreira como treinador em Atibaia, ao lado de Bragança Paulista, é um que aprova o sanduíche do local.

O ex-treinador, inclusive, já recebeu um durante uma partida contra o Bragantino. O caso inusitado foi em 2015, em partida do Campeonato Paulista. Aos 40 minutos do segundo tempo do duelo entre o Massa Bruta e o São Paulo, Muricy Ramalho e o auxiliar Tatá foram presenteados.

O sanduíche foi entregue ao treinador por uma janela da cozinha que ficava bem ao lado do banco de reservas da equipe visitante. Após a partida, o ex-treinador ainda foi embora carregando uma sacola com linguiças artesanais de Bragança Paulista.

A janela ainda existe. Porém, recentemente, o banco de reservas ficou um pouco mais afastado. Durante as partidas, o restaurante fica fechado, mas a cozinha segue trabalhando porque, após os jogos, ele volta a funcionar.

Homenagem aos ídolos

Os sanduíches do estádio Nabi Abi Chedid, aliás, são famosos. Todos são feitos com linguiça artesanal e carregam o nome de ídolos do clube. Por exemplo: o volante tetracampeão mundial, Mauro Silva, passou pelo Bragantino e foi homenageado com o X-Mauro Silva.

Os técnicos Vanderlei Luxemburgo e Carlos Alberto Parreira, que dirigiram o Massa Bruta no início da década de 1990, também foram homenageados com o X-Luxemburgo e o X-Parreira. O último que deu nome a um lanche foi o técnico Antonio Carlos Zago, que conquistou o título do Brasileiro da Série B de 2019. Após o título, entrou no cardápio o X-Zago.

Durante os jogos, o restaurante fica no Nabi Abi Chedid fica fechado. Há venda de lanches de linguiça nas partidas, mas são feitos por outro local. Após a partida, o restaurante reabre e é vendido o X-Marquinho Chedid.

Fora do horário das partidas, o restaurante do estádio fica aberto e ele tem vista direto para o gramado. Ao sentar nas mesas próximas ao vidro, a visão é muito semelhante de quem está sentado no banco de reservas do visitante.

No restaurante também há fotos de momentos históricos do Bragantino, como o período em que o time foi campeão paulista de 1990, sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, e o título do Brasileiro da Série C de 2007, com o técnico Marcelo Veiga.

Arquibancada raiz

De acordo com o último laudo do Corpo de Bombeiros, o Nabi Abi Chedid tem capacidade para receber 12.452 pessoas. Parte da torcida que vai ao estádio fica em arquibancadas de ferro, com assentos de madeira.

Uma arquibancada atrás de um dos gols e toda a arquibancada central de um dos lados do campo é desta forma. No total, elas comportam cerca de 3.500 torcedores, de acordo com o laudo do Corpo de Bombeiros. O estádio ainda tem um setor com cadeiras, assim como uma arquibancada de concreto ao lado das cadeiras e atrás do outro gol.

Entrada dos vestiários

A entrada do vestiário dos visitantes também segue o modo antigo. Quando os jogadores vão entrar no vestiário, eles descem as escadas e entram em um túnel que leva até o vestiário.

O vestiário do Bragantino fica embaixo do setor das cadeiras. Quando os jogadores entram e saem do vestiário, eles têm um contato muito próximo com os torcedores que ficam na grade localizada logo acima da saída do vestiário.

Proximidade com a torcida

A proximidade da torcida com o campo, aliás, é outra caraterística do Nabi Abi Chedid. Na área dos bancos de reservas, os torcedores assistem aos jogos encostados em uma grade que fica muito perto do campo.

Há uma proteção de acrílico na área dos bancos de reservas, mas, mesmo assim, acontece de alguns treinadores interagirem com os torcedores durante a partida. A cornetagem da torcida, obviamente, é constante no local. Principalmente com o técnico do time adversário.

O presidente honra do Bragantino, Marquinho Chedid, é um dos que gosta de assistir aos jogos nesta grade.

Estádio raiz com dias contados?

Quando assumiu a gestão do Bragantino, em 2019, a Red Bull fez uma reforma no estádio Nabi Abi Chedid. Houve pintura das arquibancadas, reforma no gramado, ajustes nos vestiários e demais áreas do local. Porém, as tradições do estádio foram mantidas.

O clube tem planos de transformar o Nabi Abi Chedid em uma arena. Há um projeto em discussão que, em breve, pode vir a ser apresentado ao público. O que se sabe é que o local deverá ter capacidade para 20 mil torcedores, para atender à exigência da Conmebol para partidas de mata-mata das Conmebol Libertadores e Copa Sul-Americana.

Ainda não há uma data definida para o início das obras, mas existe a possibilidade que o início ocorra em 2025. O Bragantino já está realizando reformas no estádio municipal de Bragança Paulista para que ele tenha condições de receber os jogos da equipe enquanto o Nabi Abi Chedid é transformado em arena.

Em coletiva de imprensa no ano passado, o diretor administrativo do Bragantino, André Rocha, afirmou que a intenção é que a arena tenha grama natural, em vez da sintética que é utilizada em algumas arenas.

A arena não deve ter mais arquibancadas com assentos de madeira, mas André Rocha afirmou que é desejo do clube que a torcida tenha condições de ficar próxima ao campo, como ocorre atualmente no Nabi Abi Chedid.

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