Terça, 21 de Maio de 2024
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Irã prende atriz famosa por relação com movimentos de protesto

Taraneh Alidoosti disse que não deixaria o país para lutar pelos direitos da mulheres; ainda não se sabe onde ela está detida

R7 / INTERNACIONAL | POR AFP


Taraneh Alidoosti durante coletiva no Festival de Cannes de 2022 - Eric Gaillard/Reuters - 26.5.2022

A famosa atriz iraniana e ativista pelos direitos das mulheres Taraneh Alidoosti foi detida, neste sábado (17), no Irã, por conexão com o movimento de protesto que entrou no quarto mês, informou um meio de comunicação local.

Conhecida por ter atuado em diversos filmes do cineasta Asghar Farhadi, Alidoosti havia manifestado apoio, através do Instagram, às manifestações desencadeadas pela morte de Mahsa Amini, uma iraniana de origem curda de 22 anos, em 16 de setembro, após ser detida em Teerã pela polícia da moralidade.

A prisão da jovem ocorreu por violação do rígido código de vestimenta que o regime impõe às mulheres, incluindo o uso do véu islâmico em público.

'Taraneh Alidoosti foi detida por suas ações recentes, publicando informação e conteúdos falsos, e por incitar o caos', anunciou a agência Tasnim, sem detalhar o lugar da detenção.

Em 8 de dezembro, a atriz de 38 anos havia denunciado a execução de Mohsen Shekari na forca depois que ele havia sido acusado de 'guerra contra Deus'.

'Qualquer organização internacional que observa este banho de sangue sem reagir representa uma vergonha para a humanidade', escreveu Alidoosti no Instagram.

Em novembro, a atriz prometeu permanecer no país e 'pagar o preço' necessário para defender os direitos e deixar de trabalhar para apoiar as famílias das pessoas assassinadas ou presas durante as manifestações.

Taraneh Alidoosti é especialmente conhecida pelo trabalho no longa-metragem de Asghar Farhadi O Apartamento, premiado com o Oscar de melhor filme de língua não inglesa em 2017.

Rosto conhecido do cinema iraniano desde a adolescência, ela também atuou na obra de Saeed Roustayi Leila e Seus Irmãos, apresentada este ano no Festival de Cannes.

Desde meados de setembro, milhares de iranianos e cerca de 40 estrangeiros foram presos e mais de 2.000 pessoas foram denunciadas por relação com as manifestações, segundo as autoridades judiciais. Até o momento, dois homens foram executados por participação nos distúrbios.

O jogador iraniano de futebol Amir Nasr-Azadani foi condenado à morte por participar dos protestos que acontecem no Irã, que lutam por mais direitos das mulheres do país. Segundo a Justiça do país, ele será enforcado em praça pública. Azadani é acusado de ser um dos nove participantes de um dos protestos que deixaram três policiais mortos. Além disso, o jogador também é acusado de participar de um 'grupo armado e organizado que tem a intenção de atacar a República Islâmica do Irã'. Conheça mais sobre a história do atleta:

Reprodução/Instagram/ @amirnasrazadaani

Azadani começou a carreira no futebol nas bases de um dos melhores times do Irã, o Sepahan Sport Club. O zagueiro atuou no clube de 2012 e saiu em 2015, quando foi promovido à liga profissional

Reprodução/Instagram/ @amirnasrazadaani

No mesmo ano, o jogador passou a defender o Rah Ahan F.C., clube que tem sede em Teerã e foi fundado em 1937. Azadani ficou no time por apenas uma temporada e saiu em 2016

Reprodução/Instagram/ @amirnasrazadaani

O zagueiro deu um grande salto na carreira e passou a defender o escudo do Tractor SC, um dos clubes mais tradicionais e históricos de todo o Irã. Atualmente, a equipe está no sétimo lugar da Iran Pro League, que é o campeonato nacional

Reprodução/Twitter

O último clube de que o zagueiro fez parte foi o F.C. Iranjavan Bushehr, também do Irã. Ele está preso desde o dia 27 de novembro

Reprodução/Instagram/ @amirnasrazadaani

Em 2000, Azadani utilizou uma foto em que veste uma jaqueta da seleção brasileira para desejar um feliz Ano-Novo aos torcedores e fãs nas redes sociais

Reprodução/Instagram/ @amirnasrazadaani

O sindicato de jogadores profissionais, a FIFPro, soltou um comunicado em que expôs o choque sobre a sentença e exigiu que Azadani tivesse a punição removida. Outros ídolos iranianos, como o ex-jogador Ali Karimi, também fizeram publicações a favor da liberação do atleta

Reprodução/Instagram/ @amirnasrazadaani

Com a sentença de morte, Azadani se torna mais um número para as estatísticas da Iran Human Rights, que divulgou uma pesquisa que mostra que ao menos 320 pessoas já morreram nas manifestações. Milhares de iranianos estão nas ruas em protesto após a morte da jovem de 22 anos, Mahsa Amini. Ela foi detida por ter deixado uma mecha do cabelo para fora do lenço típico que cobre a cabeça das mulheres. A jovem foi morta e, depois do velório, iranianos tomaram as ruas, pedindo por mais direitos das mulheres no Irã

Reprodução/Instagram/ @amirnasrazadaani



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