Análise: apostas ruins de Ramón e problemas crônicos "carimbam" faixa de campeão do Corinthians

Timão reencontra a Fiel em Itaquera após título estadual contra o maior rival e sai frustrado: derrota por 2 a 1 para o argentino Huracán, pela Copa Sul-Americana

GloboEsporte.com / José Edgar de Matos


Era o reencontro da Fiel torcida com o Corinthians. No primeiro jogo na Neo Química Arena depois da conquista do Paulistão, problemas crônicos da equipe reapareceram, o técnico Ramón Díaz fez apostas ruins e a faixa de campeão do estadual foi "carimbada" pelo Huracán.

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Na Copa Sul-Americana, a equipe alvinegra voltou a sofrer pelo alto. Em duas jogadas assim, os argentinos se sobressaíram para fazer 2 a 1 e frustrarem a estreia corintiana na competição continental, uma consolação como consequência da eliminação precoce na Libertadores.

Muito da vantagem argentina se deu também por escolhas erradas do técnico Ramón Díaz. O caso mais emblemático esteve em Giovane. Com contrato perto do fim e apenas um jogo na temporada, o atacante entrou no intervalo como principal aposta para mudar o panorama ao lado Talles Magno.

Porém, sem ritmo e mal tecnicamente, o camisa 17 pouco colaborou.

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A soma dos erros de escolha, da comissão técnica e dos próprios jogadores – Talles Magno viveu péssima noite, por exemplo – resultou em uma frustrante noite em Itaquera.

Foi a primeira derrota em casa desde agosto do ano passado, derrubando uma invencibilidade de 23 partidas (o último tropeço antes desse tinha sido contra o Bragantino).

Velhos problemas

O problema crônico defensivo, alvo de críticas desde o início da temporada, reapareceu. Se diante do Palmeiras, na final do Paulistão, o trabalho se aproximou do impecável nas bolas pelo alto, contra o Huracán duas falhas comprometeram toda a partida.

A começar com os escanteios defensivos. Aos cinco minutos, a bola cruzada na primeira trave encontrou Sequeira, que em nenhum momento foi incomodado na movimentação e subiu sozinho para abrir o placar. Matheus Bidu, Yuri Alberto e Romero só observaram.

O segundo momento ocorreu perto do término do primeiro tempo. Félix Torres errou ao tentar proteger a bola para a linha lateral. Ela não saiu, e o equatoriano, pressionado, chutou diretamente para um adversário perto da área. De lá saiu o cruzamento na direção de Gustavo Henrique, que também falhou e deu uma "assistência" para o rival marcar.

A cabeçada do camisa 13, que vinha como o mais regular zagueiro da equipe na temporada, parou em Sequeira. O centroavante dominou e soltou a bomba para anotar o segundo do Huracán.

O domínio com a bola se deu, principalmente, pela imposição de Andre Carrillo. Mais uma vez, o peruano controlou o setor e acabou como grande destaque do Timão ao atuar bem aberto pelo lado direito.

Dos pés do peruano, por exemplo, saiu o cruzamento certeiro para Raniele balançar as redes aos 12 minutos. Era o prenúncio de uma reação que somente não se concretizou em virada pelas chances desperdiçadas, que pesaram diante do segundo gol do Huracán já relatado.

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Poucas soluções

A derrota parcial antes do intervalo fez Ramón Díaz agir. Breno Bidon, Talles Magno e Giovane começaram o trabalho de aquecimento quando o elenco ainda se concentrava nos vestiários.

Era natural a aposta nos dois primeiros. Giovane, pouco utilizado no ano e próximo de deixar o clube, entrou ao lado de Talles Magno no retorno do intervalo. O objetivo era claro: ampliar o jogo pela ponta direita com as características do jovem jogador.

Giovane, porém, sofreu com a falta de ritmo de quem atuou somente uma vez em 2025. Tomadas de decisões erradas e erros técnicos tiveram o efeito contrário. O Corinthians piorou.

O 4-2-4 de Ramón com Giovane, Talles, Memphis e Yuri desocupou o meio-campo e facilitou o trabalho defensivo da equipe argentina.

O holandês constantemente baixava para a linha defensiva a fim de buscar o jogo, já que a bola pouco chegava. Carrillo cansou, e Breno Bidon entrou com o objetivo de controlar o setor. Era o único, porém, em um setor fundamental para o Corinthians funcionar, mas esvaziado nesta quarta-feira.

Isso fez o time se desorganizar e diminuir o bom ritmo apresentado durante a primeira etapa. O Corinthians tentou pressionar na base da individualidade e da pressão, sem a fluidez exibida minutos antes durante o tempo inicial.

Em uma competição continental, em um grupo com a promessa de equilíbrio, erros defensivos e de comando podem custar um resultado. Nem o ambiente da Neo Química Arena e as individualidades mudaram o panorama.

No reencontro com a Fiel, a festa de quinta-feira passada terminou com frustração nesta primeira rodada de Sul-Americana. Agora é correr atrás fora de casa dos pontos perdidos.

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