Pai de irmãos alvos de duas operações policiais foi usado para receber propina de secretário

InvestigaMS/Wendell Reis


Empreiteiro não tinha “conta de aluguel' para fazer pix e transferiu para conta de pai de irmãos famosos em operações do Gaeco

Denúncia do Ministério Público Estadual aponta que o pai de uma dupla famosa no Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) emprestou a conta bancária para transferência de dinheiro de propina em esquema de corrupção no Município de Bonito, administrado por Josmail Rodrigues (PL).

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Diálogos flagrados pelo MPE apontam que  o empreiteiro Genilton da Silva Moreira, proprietário da Base Construtora e Logística, teria envaido quase R$ 100 mil para o secretário de Finanças, Edilberto Cruz. 

Em uma das conversas flagradas, Genilton diz que não tinha para quem fazer a transferência bancária. Pouco tempo depois, o pix em nome de Sergio Duarte Coutinho é indicado para recebimento de R$ 15 mil.

Sérgio Duarte Coutinho é pai de Lucas Andrade Coutinho e Sérgio Duarte Coutinho Júnior, alvos das operações Parasita e Turn Off, ambas do Ministério Público Estadual. 

A Operação Turn Off  revelou um esquema de fraude em licitações públicas envolvendo contratos das secretarias estaduais de Saúde e de Educação. Segundo as apurações, os irmãos negociavam pagamento de propina a servidores públicos em troca de favorecimento em contratações e vantagem sobre concorrentes. 

Águas Turvas

O Gecoc prendeu quatro pessoas e cumpriu 15 mandados de busca e apreensão em operação contra corrupção em Bonito. Foram presos o secretário de Finanças, Edilberto Cruz, a responsável pelo setor de licitações, Luciane Cintia Pazette, Carlos Henrique Sanches Corrêa, e o empreiteiro Genilton Moreira.

Os policiais investigam uma possível organização criminosa que fraudava licitações, praticando corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, dentre outros delitos correlatos na Prefeitura de Bonito.

“A investigação constatou a existência de uma organização criminosa que atua fraudando, sistematicamente, licitações de obras e serviços de engenharia no Município de Bonito, desde 2021', diz nota do MPE.

Segundo a investigação, são inúmeras licitações fraudadas mediante simulação de concorrência e previsão de exigências específicas estipuladas para direcionar o objeto do certame às empresas pertencentes ao grupo criminoso.

Os agentes públicos, em conluio com os empresários, forneciam informações privilegiadas e organizavam a fraude procedimental, com vistas ao sucesso do grupo criminoso, mediante recebimento de vantagens indevidas. 

Os contratos apurados até o momento atingem o valor de R$ 4.397.966,86. Segundo o MPE, “Águas Turvas', termo que dá nome à operação, faz alusão a algo que perdeu a transparência ou limpidez, e contrasta com a imagem do Município de Bonito, reconhecido por suas belezas naturais e águas cristalinas, que, contudo, vêm sendo maculada pela atuação ilícita dos investigados.


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