Terça, 25 de Junho de 2024
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Cresce apelo para que Irã liberte atriz de filme ganhador do Oscar

Taraneh Alidoosti foi detida por expressar apoio aos protestos, não usar o véu e denunciar a execução de manifestantes

R7 / INTERNACIONAL | POR AFP


Taraneh Alidoosti já estrelou filme ganhador de Oscar - Valery Hache/AFP - 25.5.2022

Celebridades e grupos de direitos humanos fizeram apelos neste domingo (18) ao Irã para libertar a atriz e ativista Taraneh Alidoosti, uma das mais reconhecidas do país, detida por apoiar os protestos que sacodem a República Islâmica há três meses.

Alidoosti, de 38 anos, foi detida no sábado (17) por expressar apoio nas redes sociais às manifestações, não usar o véu e denunciar a execução de manifestantes.

Alidoosti foi detida 'por ordem da autoridade judicial' após 'não fornecer documentação para algumas de suas afirmações' sobre os protestos, informou o meio Mizan Online, a agência de informação do Poder Judiciário.

O Irã vive uma onda de protestos desde a morte de Mahsa Amini, de 22 anos, em 16 de setembro, após ser presa em Teerã pela polícia da moralidade, que a acusou de violar o rígido código de vestimenta para as mulheres da República Islâmica.

O regime iraniano, por sua vez, acusa os Estados Unidos e outros 'inimigos' de estarem por trás dos protestos, que estão sendo reprimidos com violência. Desde então, centenas de pessoas morreram, milhares foram detidas e dois homens foram executados.

Entre os detidos há diversas personalidades iranianas, incluindo artistas como Taraneh Alidoosti.

A atriz tem grande projeção internacional pelo trabalho com o aclamado diretor Asghar Farhadi. A produção O Apartamento, na qual atuou, foi premiada com o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2017.

Somayeh Mirshamsi, assistente de direção em O Apartamento, assegurou que Alidoosti havia telefonado ao próprio pai para lhe dizer que estava reclusa na prisão de Evin, administrada pelo Ministério de Inteligência em Teerã.

Durante o telefonema, pediu ao pai que lhe levasse medicamentos. A família da atriz está 'preocupada' com a saúde dela, escreveu Mirshamsi no Twitter.

Alidoosti, um rosto conhecido do cinema iraniano desde a adolescência, também atuou no filme de Saeed Roustayi Leila e Seus Irmãos, apresentado este ano no Festival de Cannes. Alguns dos coprotagonistas deste filme se reuniram diante da prisão de Evin, informou o jornal iraniano Shargh.

A detenção de Alidoosti também provocou reações nas redes sociais. A também atriz e exiliada Golshifteh Farahani publicou uma foto com a amiga no Instagram, chamando-a de 'a corajosa atriz do Irã' e exigindo a libertação.

A foto foi compartilhada pelo ex-astro de futebol francês Eric Cantona, com a hashtag '#liberdade'.

Por sua vez, o Centro pelos Direitos Humanos do Irã (CHRI, na sigla em inglês), com sede em Nova York, lamentou que 'mulheres sejam abordadas e presas no Irã por se recusarem a utilizar o hijab (véu) obrigatório, incluindo atrizes famosas como Taraneh Alidoosti'.

'O poder das mulheres aterroriza os dirigentes da República Islâmica', acrescentou.

A Justiça iraniana informou no sábado que 'algumas figuras notáveis e celebridades', entre elas Alidoosti, haviam sido interrogadas ou presas por 'comentários sem fundamento sobre os eventos recentes e a publicação de material provocativo em apoio aos distúrbios nas ruas'.

A última mensagem de Alidoosti nas redes sociais foi publicada em 8 de dezembro, o mesmo dia em que Mohsen Shekari, de 23 anos, foi a primeira pessoa executada por relação com os protestos.

'Seu silêncio significa o apoio à opressão e ao opressor', escreveu a atriz no Instagram.

Também circularam imagens dela enquanto fazia compras por Teerã sem usar o véu. Alidoosti se comprometeu a não sair do país e disse que estava disposta a 'pagar qualquer preço para defender' os direitos das mulheres.

A conta da atriz no Instagram, com mais de 8 milhões de seguidores, deixou de ser acessível neste domingo.

Segundo a ONG Iran Human Rights, com sede na Noruega, pelo menos 469 pessoas morreram na repressão aos protestos, e pelo menos 14 mil foram detidas, segundo a ONU.



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