Quarta, 24 de Abril de 2024
  • Quarta, 24 de Abril de 2024

Di María brilha, supera "dia mais difícil da vida" e se despede da Argentina como campeão da Copa

Novidade contra a França, camisa 11 teve grande atuação na final e deixou o seu na conquista no Catar; craque encontra redenção oito anos depois de não poder jogar decisão

GLOBOESPORTE.COM / REDAçãO DO GE


Messi e Di Maria, Argentina x França — Foto: Getty Images

A despedida de Di María da seleção argentina não poderia ser melhor. Novidade na escalação para a final da Copa do Mundo, o camisa 11 fez gol e foi um dos destaques na eletrizante vitória sobre a França nos pênaltis que deu o tricampeonato mundial alviceleste no estádio Lusail neste domingo.

Um dos jogadores mais importantes do ciclo argentino para esta Copa do Mundo, o meia-atacante tinha atuado muito pouco no mata-mata: apenas nos minutos finais da prorrogação das quartas de final contra a Holanda. Ele foi titular na fase de grupos, mas teve de lidar com dores musculares no Catar.

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Sua escalação desde o início contra a França foi surpreendente, mas se mostrou um grande acerto de Lionel Scaloni. Aberto pela esquerda, Di María desequilibrou o jogo. Aos 22 minutos, driblou Dembelé, invadiu a área e sofreu pênalti, convertido pelo amigo Messi.

Minutos depois, foi às lágrimas ao completar o contra-ataque muito bem armado pela Argentina e finalizar para ampliar o placar em Doha: 2 a 0.

Ele saiu aos 18 do segundo tempo e assistiu do banco aos momentos mais emocionantes do jogo: o empate francês, o gol de Messi na prorrogação e o terceiro de Mbappé para levar a decisão para as penalidades. Tanto no tempo extra quanto na comemoração, o camisa 11 chorou novamente.

Di María se tornou nos últimos anos um herói em decisões, pois fez gols nas finais da Copa América de 2021 contra o Brasil, a Finalíssima 2022 contra a Itália e agora na Copa do Mundo diante da França. Em 2008, deixou o seu também na conquista do ouro olímpico em Pequim.

Uma sequência bem diferente daquela que se iniciou na outra decisão de Mundial disputada pela Argentina, em 2014. A derrota para a Alemanha na Copa do Mundo no Brasil já foi definida por Di María como "o dia mais difícil de sua vida".

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Em 2014, ele chegou à decisão com problemas. O meia-atacante tinha uma lesão na coxa, mas estava disposto a tomar infiltrações para jogar e se sentia em condições de entrar em campo sob uso de remédios.

Mas Di María não saiu do banco de reservas na derrota por 1 a 0 na decisão diante dos alemães. Anos depois, contou que foi proibido de jogar horas antes pelo Real Madrid, sua então equipe, e que estava o negociando com o Manchester United.

– Daniel Martínez (médico da Argentina) chegou com um envelope do Real Madrid. Ele contou que estavam dizendo que eu não tinha condições de jogar. Estavam forçando para que eu não jogasse – disse em seu relato ao "The Players Tribune", em 2018.

– Todos ouviram os rumores que o Real queria assinar com James Rodríguez depois da Copa do Mundo, e eu sabia que eles iriam me negociar para abrir espaço. Então não queriam que seu jogador se machucasse antes de vendê-lo. (...) Eu pedi que o Daniel me desse a carta. Nem abri. Só a rasguei em pedaços e disse que quem decidiria seria eu – completou.

Ele teve uma conversa com o técnico da seleção, Alejandro Sabella, ainda tomou infiltrações antes do jogo e no intervalo para ter condições se fosse chamado, mas nem saiu do banco de reservas.

Oito anos depois, todas as prévias do confronto projetavam Di María no banco, como foi ao longo do mata-mata, mas Scaloni decidiu usar o camisa 11. E não se arrependeu.

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Fora de três finais, começou jornada heroica contra o Brasil

A decisão da Copa do Mundo de 2014 foi a primeira das três em que Di María não conseguiu atuar. Ele também teve problemas físicos na Copa América em 2015 (se machucou no início do jogo) e 2016, e a Argentina perdeu ambas para o Chile.

Depois de conquistar com Messi o ouro olímpico em 2008, parecia que a história dos dois terminaria sem outras conquistas pela seleção. Até o ano passado.

Foi de Di María o gol na final da Copa América de 2021, vencida pela Argentina por 1 a 0 em cima do Brasil, país-sede daquela edição.

Em junho deste ano, voltou a decidir uma final na vitória por 3 a 0 sobre a Itália na Finalíssima, que marcou o encontro da seleção campeã da Copa América contra a vencedora da Eurocopa. Lautaro Martínez e Dybala completaram o placar.

A relação com Messi

Além da conquista da medalha de ouro, a chance de disputar as Olimpíadas de Pequim, em 2008, marcou Di María pela chance de atuar com Messi, quem ele classifica como "um extraterrestre, um gênio". Em 2018, antes da Copa da Rússia, já definiu o amigo assim:

– Messi já é o melhor de todos os tempos. Ganhar uma Copa do Mundo confirmaria isso, mas ele já é o melhor.

A Argentina caiu nas oitavas de final no Mundial passado justamente para a França, adversária na final do Catar. Na edição atual, o camisa 10 se tornou o grande nome da sua seleção, terminou como vice-artilheiro com sete gols (atrás de Mbappé com oito), conquistou o título que faltava e foi eleito o Bola de Ouro da competição.

A parceria de 14 anos entre Messi e Di María na Argentina teve também um capítulo no Paris Saint-Germain, até o fim da última temporada, quando o meia-atacante se transferiu para a Juventus.

Os dois já anunciaram que o jogo deste domingo é uma despedida: Di María afirmou que não jogará mais pela seleção argentina, enquanto Messi cravou que esta é sua última Copa do Mundo, mas ainda atuará pela equipe nacional. Se for de fato o fim da dupla em Mundiais, será o mais glorioso possível.

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