Terça, 16 de Abril de 2024
  • Terça, 16 de Abril de 2024

Nunca houve uma decisão de Copa como Argentina e França

Jornalista, autor de 'Escola Brasileira de Futebol', cobriu sete Copas e oito finais de Champions

CORREIO DO ESTADO / PVC


Paulo Vinícius Coelho - Foto: Arquivo/Correio do Estado

A final muda o padrão, e a impressão por 120 minutos foi a de voltar aos 12 anos de idade, quando se pode dizer, com razão: 'Nunca vi nada igual'. Não houve uma decisão como os 3 a 3 de Argentina e França.

Não só pela qualidade do futebol, mas pelo roteiro, que incluiu Messi artilheiro da Copa, levando a virada de Mbappé, voltando a empatar e ser goleador e líder de assistências e ver o francês de novo à frente, com o gol de pênalti.

Quem julgava ser mais do que Messi x Mbappé, viu dois gols do melhor jogador do século 21 e três de seu provável herdeiro. O capricho de Alá foi Messi errar a jogada que resultou no gol de empate da França. Quando o mundo inteiro já estava pronto para se curvar para reverenciar o maior gênio do futebol no século 21, dobrar o tronco, como se estivesse numa mesquita, para dizer: 'Meeeeeesssi!'

Então, Messi errou.

Perdeu disputa no meio de campo e a jogada se desenvolveu com Muani, chegou para Mbappé, tabela com Thuram e um gol de placa.

Sem se abater, Messi voltou a comandar o título.

Muitas finais tiveram roteiros parecidos, como Argentina 3 x 2 Alemanha, em 1986. Maradona também viu seu time fazer dois gols de vantagem e levar o empate. Só que, neste momento, deu um passe de sinuca e deixou Burruchaga na cara do goleiro Schumacher.

Desta vez, o gênio errou. Depois, consertou.

O que torna o roteiro quase inédito, porque não se tratou apenas da marcha do placar. Trata-se de Messi fazer 1 a 0, tornar-se artilheiro da Copa e líder de assistências, os argentinos darem um baile, colocarem os franceses na roda e, quando ninguém imaginava, Mbappé dar a volta no marcador e na artilharia.

Primeiro, uma falha de Otamendi, vilão da eliminação de 2010, quando jogou como lateral direito e não conseguiu parar Podolski. Desta vez, por começar o pênalti.

E, então, o gênio errou. E, depois do erro, fez mais uma jogada de gênio, tirada do fundo da lâmpada, num chute de fora da área que obrigou Lloris a espalmar para escanteio.

Ainda encontrou espaço para um lançamento para Julián Álvarez, que poderia resultar no terceiro gol, no tempo normal. Então, se foi à prorrogação, e Messi outra vez inventou algo brilhante. De pé direito, deixou Lautaro Martínez na cara de Lloris.

Upamecano, que tinha errado no segundo gol da Argentina, salvou brilhantemente ao travar Lautaro de frente para o gol. Apesar do abalo psicológico de sofrer o empate, quando tinha a vitória aparentemente garantida, a Argentina melhorou no tempo extra. Teve as melhores chances, duas com Lautaro. No início da segunda etapa, Messi chutou fraco, e Lloris espalmou, com dificuldade.

As pernas atrapalhavam. O cansaço era evidente, até a torcida diminuiu o ritmo. E Messi tirou o gol do fundo da lâmpada de Lionel.

Ainda veio Mbappé tirando de novo a artilharia de Messi.

Jorge Valdano, campeão de 1986, disse ao Clarín que não admite quem diga que Messi é o melhor de todos os tempos, mas não aceita quem diga que não é. Pelé é Deus! Mas a frase de Valdano é brilhante.

É mesmo incrível que Messi ganhe a Copa onde o povo dobra o tronco para a frente para reverenciar Alá. E diz: 'Meeeeeessi!'  



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